Diretor do Laboratório Aclimação conta como trabalham para rejuvenescer uma marca centenária e conquistar os jovens
Quando uma empresa completa 107 anos de mercado, a tentação de descansar nos louros da tradição é grande. Porém, ciente da importância de rejuvenescer o público, o Laboratório Aclimação, dona da marca icônica Rugól, vem trabalhando para manter viva a credibilidade construída ao longo de mais de um século. Algo não tão simples, como pontuou Mateus Argentieri, diretor da companhia, hoje (11), na 1355ª edição da Série Entrevista ClienteSA. Isso porque o jovem de hoje não compra apenas pela tradição. Ele pesquisa, questiona, busca validação científica e referências que façam sentido em seu universo digital. “A transferência de credibilidade é um dos principais desafios que temos atualmente.”
A estratégia do laboratório passa por um movimento que vai além de campanhas pontuais. O executivo explica que a empresa trabalha forte com profissionais da saúde e estética para romper a barreira inicial de desconfiança. “Quando você aborda um dermatologista, ele não quer saber se você tem cem anos. Ele quer saber se você realmente tem alguma coisa a oferecer tecnicamente.” Essa abordagem revela uma verdade incômoda para marcas tradicionais: o tempo de existência, por si só, não é moeda de troca com gerações que cresceram em abundância de opções. A credibilidade precisa ser comprovada, testada, validada por vozes que o público jovem reconhece como autoridades.
A companhia também tem apostado em uma estratégia de portfólio diversificado. A marca Epilê, lançada em 1991, nasceu justamente para atender um público mais jovem com produtos naturais e veganos, características que ressoam com valores da geração Z. Mateus destaca que o crescimento de Epilê foi impulsionado principalmente pelo digital e pelo compartilhamento orgânico. Essa descoberta levou a empresa a escutar ainda mais o consumidor. “A consumidora é quem diz para onde vai a marca” resume o executivo.
Nesse ponto, o diretor reconhece que Rugól é uma marca sensível para grandes mudanças de comunicação. “Estamos falando com um público muito fiel e maduro. Pessoas que talvez não venham gostar de uma linguagem mais moderna na comunicação e do uso de canais mais digital.” A solução encontrada nesse caso foi não abandonar o público tradicional, nem ignorar o novo, encontrando um equilíbrio. De acordo com o executivo, isso exige uma estrutura de relacionamento que grandes multinacionais, muitas vezes, não conseguem manter. “Conseguimos ter um contato direto, um relacional, uma abordagem com a consumidora que às vezes uma multinacional não consegue ter.”
Nesse contexto, o pós-venda e o atendimento direto emergem como ferramentas estratégicas, segundo Mateus. O laboratório mantém pessoas, não bots, no relacionamento com clientes. “Às vezes ele pode até ajudar, mas tem horas que ele não vai entender o que o cliente busca”, comenta o executivo, reforçando que esses contatos geram dados valiosos que viram conteúdo, produtos novos e ajustes de estratégia. Ele pontuou também que canal físico permanece predominante, especialmente porque permite demonstração real do produto. “O cliente ter contato com o produto, testar o produto, é fundamental. É aí que conseguimos ter conversão.”
O vídeo, na íntegra, está disponível no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1353 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA retorna, amanhã (16), com Danilo Quintino, gerente de brand experience da Norton Abrasivos, e Lilian Modolo, gerente de trade marketing da Norton Abrasivos, para detalhar a jornada que tem na qualidade o diferencial.




















