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Adriana Frantz, lead analyst da TGT ISG

Pressão por ROI faz empresas frearem apostas genéricas em IA

Estudo da TGT ISG mostra mudança de postura nas empresas brasileiras, com foco em eficiência operacional, governança de dados e resultados mensuráveis em inteligência artificial

Em um cenário de maior pressão por eficiência, retorno financeiro e adaptação rápida às mudanças econômicas, organizações de diferentes setores avançam na revisão de processos, atendimento e operações com foco em resultados mensuráveis. A nova edição do estudo “ISG Provider Lens Digital Business Innovation Services 2026 para o Brasil”, produzido e distribuído pela TGT ISG, mostra que a inteligência artificial deixou de ocupar apenas o espaço da experimentação para se tornar uma prioridade operacional nas empresas brasileiras.

Segundo análise da Febraban, mais de 6 mil agências bancárias foram fechadas na última década, refletindo a consolidação dos canais digitais como principal meio de relacionamento entre bancos e clientes. A última pesquisa ISG Market Lens registra que essa evolução ocorre em meio a uma avaliação cada vez mais rigorosa de custos, ROI e impacto nos resultados.

“É um dos exemplos mais visíveis da transformação impulsionada por IA, automação e análise de dados. A era da IA deslocou a transformação digital para uma necessidade urgente de adaptação e sobrevivência para as empresas. Essa urgência decorre do fato de que a IA está acelerando o ritmo da disrupção nos negócios, redefinindo modelos operacionais, pressionando estruturas de custos e ampliando a desvantagem competitiva das organizações que ainda não contam com infraestruturas de dados modernas e organizadas”, explicou Adriana Frantz, lead analyst da TGT ISG e autora do estudo.

Segundo o relatório, esse avanço acontece em um contexto de maior instabilidade econômica e geopolítica, elevando a pressão por investimentos com impacto direto no negócio. Nesse ambiente, projetos de transformação digital passam a priorizar automação, qualidade de dados, eficiência operacional e melhoria da tomada de decisão, deixando em segundo plano iniciativas sem métricas claras de retorno. 

Segundo Adriana, “os executivos estão priorizando mudanças estruturais e ganhos de eficiência operacional. Após um período de experimentação e certa frustração com os resultados, os líderes de tecnologia passaram a adotar uma abordagem mais cautelosa, buscando escalar casos de uso de IA orientados a ROI e com resultados mensuráveis. Isso não significa, entretanto, que a IA tenha deixado de ser prioridade.”

Entre os principais direcionadores das novas implementações de IA apontados pelo estudo estão a necessidade de dados estruturados e governados, a integração da jornada do cliente entre diferentes canais e a capacidade das lideranças de conduzir mudanças organizacionais. O estudo aponta que a adoção efetiva de inteligência artificial depende cada vez mais de alinhamento entre tecnologia, estratégia e cultura corporativa. 

Nesse contexto, fornecedores de tecnologia ampliam sua atuação consultiva para apoiar empresas na definição de prioridades, casos de uso e métricas de impacto. A pressão por resultados concretos também elevou a demanda por projetos com business cases mais robustos e indicadores claros de ROI. Dados do quarto trimestre de 2025 do ISG Index mostram que a IA deve concentrar a maior parte do aumento dos orçamentos de TI, representando 5,6% da expansão dos investimentos em relação ao ano anterior. A maior parte dos recursos será destinada a novos programas estratégicos e iniciativas de inovação, refletindo uma adoção mais acelerada, mas também mais criteriosa, da tecnologia.

A autora explica que os fornecedores têm buscado ampliar sua relevância por meio de serviços de consultoria e estratégia, apoiando clientes na definição de prioridades, seleção de casos de uso com maior potencial de ROI e estruturação de roadmaps de evolução. “Isso ganha importância em um momento no qual os compradores estão mais criteriosos quanto ao valor gerado por IA e menos dispostos a sustentar programas amplos sem visibilidade clara sobre os resultados. Também cresce a ênfase em métricas, critérios de sucesso e mecanismos de acompanhamento, com os fornecedores ajudando na construção de business cases e na medição de impacto”.

O levantamento também destaca o avanço do change management como diferencial competitivo entre fornecedores. Com empresas enfrentando desafios para adaptar equipes e incorporar novos fluxos de trabalho, cresce a busca por parceiros capazes de combinar tecnologia, capacitação e redesenho organizacional. 

“Muitos projetos não esbarram em questões técnicas, mas na dificuldade de engajar áreas de negócio e incorporar novos modelos de trabalho. Nesse cenário, ganha relevância o fornecedor que consegue combinar tecnologia com gestão da mudança, capacitação e suporte ao redesenho organizacional, reduzindo barreiras para a evolução digital”, explicou a executiva. 

Para os próximos meses, a expectativa é de uma fase mais disciplinada da transformação digital no país, com foco em governança de dados, eficiência operacional e previsibilidade de resultados. “A tendência é que fornecedores excessivamente dependentes de execução tática percam espaço para empresas capazes de integrar consultoria, estratégia, IA, dados e gestão da mudança em projetos orientados a valor de negócio”, finalizou Adriana. 

O relatório avalia as capacidades de 48 fornecedores em três quadrantes: Digital Transformation Services for Large Accounts, Digital Transformation Services for Midmarket e Customer Journey Services. E nomeia Accenture, AI/R, BRQ, Cadastra, Deloitte, Globant, MadeInWeb e Stefanini como líderes em dois quadrantes cada. Nomeia act digital, Brivia, CI&T, Deal, Dedalus, Falconi, GhFly, ilegra, Meta, NTT DATA e TIVIT como líderes em um quadrante cada.

Além disso, a SoftDesign, a Spassu e a Valtech foram nomeadas como Rising Stars — empresas com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, segundo a definição da ISG — em um quadrante cada.

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