Alfredo Costa, CEO da NielsenIQ no Brasil

Transformação do e-commerce com a Ásia redefinindo as regras do jogo 

CEO da NielsenIQ no Brasil traz insights das mudanças no varejo digital, destacando como modelos asiáticos já conectam produção, dados e entretenimento

A lógica que moldou o comércio eletrônico nas últimas décadas está sendo rapidamente substituída por um modelo mais integrado, automatizado e orientado por dados. Impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, pela ascensão do social commerce e pela consolidação do quick commerce, a transformação já é realidade em mercados asiáticos, em um ecossistema onde algoritmos conseguem antecipar as demandas e conectar produção, consumo e entretenimento em tempo real. Nesse novo cenário, agentes de IA passam a assumir decisões de compra e desafiam empresas a repensar estratégias de marketing, relacionamento e posicionamento, conforme compartilhou Alfredo Costa, CEO da NielsenIQ no Brasil, hoje (11), na 1353ª edição da Série Entrevista ClienteSA.

Nesse sentido, a reinvenção do e-commerce é uma realidade que já impacta os negócios globalmente. “Tudo que conhecemos de e-commerce, talvez agora tenhamos que reaprender”, alertou Alfredo, sinalizando que não se trata apenas de ajustes incrementais, mas de uma mudança paradigmática nos negócios. O ponto de partida dessa transformação, salientou, está em como o consumidor interage com as marcas. Enquanto no modelo tradicional o cliente entra em um site, busca o produto e realiza a compra, na Ásia o cenário é radicalmente diferente. “O e-commerce de conteúdo na China é do tamanho do e-commerce nos Estados Unidos. Ele já fatura praticamente o mesmo valor.” Esse novo modelo, o produto encontra o consumidor durante sua navegação em redes sociais, lives e conteúdos, sem necessidade de sair da plataforma. De acordo com o executivo, essa mudança já está chegando ao Brasil, ainda que concentrada em regiões metropolitanas.

A integração de dados em todo o ecossistema é o que permite essa transformação. Na China, empresas como Alibaba têm acesso a informações que vão muito além do histórico de compras. “A empresa sabe quando você está pedindo um carro de aplicativo, quando está pedindo comida por delivery, o que está adquirindo na sua compra semanal e até informações do plano de saúde.” Essa visão 360º permite que as fábricas prevejam demanda com precisão, ajustando a produção antes mesmo da compra acontecer, eliminando tanto o excesso de estoque quanto a falta de produtos. Deixa de ser uma transação isolada e passa a ser uma jornada contínua, conectada e inteligente. Para Alfredo, no Brasil, o desafio é monumental. Enquanto a Ásia opera com ecossistemas integrados e dados organizados em larga escala, o País ainda enfrenta fragmentação. A cultura de dados ainda é incipiente em muitos segmentos e empresas resistem à digitalização.

Na concepção do executivo, a inteligência artificial amplifica essas mudanças. Agentes de e-commerce automatizados farão compras pelos consumidores, considerando apenas critérios racionais: preço, prazo de entrega, especificações técnicas. Isso muda completamente o papel do marketing. “Como é que eu convenço um agente de e-commerce que a marca é melhor? Não adianta mais colocar um cachorrinho ou uma criança para emocionar o consumidor.” As empresas precisaram repensar as estratégias de posicionamento e comunicação para um futuro onde a emoção cede espaço à eficiência matemática.

O vídeo, na íntegra, está disponível no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1352 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA encerrará a semana amanhã (12), com o Sextou, que debaterá o tema “Cliente Global: A era da economia da experiência pelo mundo”, reunindo Ladislau Batalha, CEO e fundador do LAB Experience, Maria Carolina Rodrigues, especialista em consumer insights e Melissa Riley, especialista em CX e customer insights.

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