Direito à Privacidade – onde começa o seu e termina o nosso?

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Richard L. Brodsky, um democrata, enviara à assembléia do estado de Nova York, projeto de lei que tornaria crime o uso de informações pessoais por parte das empresas de Internet sem o consentimento expresso da pessoa. O projeto foi concebido após Brodsky ter lido artigo sobre a utilização de dados pessoais para tornar mais eficiente as campanhas publicitárias por empresas como Google, Microsoft e Yahoo.

É possível que o projeto seja votado nestes próximos meses, o que está despertando uma séria discussão nos EUA, pois apesar de estadual, a lei tem o potencial de banir o e-mail marketing do mercado americano, pois é praticamente impossível para uma empresa aplicar a regra em apenas um estado.

Eu tenho acompanhado a discussão com interesse, pois é muito provável que ela venha a ser usado como exemplo por alguns dos nossos brilhantes legisladores.

Uma das opiniões interessantes sobre o assunto foi da analista Kaila Colbin, publicada no site Media Post, em 28 de março. Segundo Kaila, em uma visão claramente otimista, o efeito da lei será mínimo, e aqui estão alguns dos motivos dela.

Primeiro: a diferença entre uma lista de opt-in e uma de opt-out está na casa dos milhões. (Ou seja, pagar a multa valerá a pena).

Segundo: os usuários de Internet dizem que se preocupam com esse assunto, mas não se preocupam de fato. Ela conta a experiência de uma empresa chamada TACODA (que foi adquirida pela AOL no ano passado). Segundo Dave Morgan, ex-presidente da empresa, quando eles começaram a desenvolver segmentação comportamental com cookies que permitiam a entrega de publicidade altamente dirigida, sabiam que tinham o potencial de deixar muita gente desconfortável. Então fizeram um agressivo programa de opt-out. Mas muito pouca gente pediu para sair. E, embora muitos estudos indicassem que as pessoas estavam deletando os cookies, o número nunca foi alto a ponto de ameaçar o negócio. Por quê? As pessoas gostam do fato de poder customizar suas páginas e não terem que redigitar senhas cada vez que entram em um site onde se cadastraram antes, ou que oferecem atalhos graças aos cookies. Os consumidores entendem que estão pagando pelo “almoço grátis”.

Terceiro: muita gente simplesmente não faz idéia do que estamos falando e continuarão não entendendo, seja qual for o tamanho do botão de opt-out que colocarmos. Calcula-se que 24% dos internautas americanos sequer conseguem encontrar o Google!

Quarto: apesar da histeria de alguns ativistas, a publicidade não vai abandonar a Internet, pois é na web que os consumidores estão. E onde vão estar por muito tempo.

Quinto: as pessoas não estão dispostas a abrirem mão de certas vantagens que a personalização trouxe – as recomendações da Amazon, por exemplo.

Como se diz por aí, de boas intenções, o inferno está cheio. Temos um exemplo bem próximo a nós com a Lei da Cidade Limpa, em São Paulo. Sem dúvida, era necessária uma ordenação do espaço visual da cidade, mas não à custa do extermínio de uma atividade econômica, a Mídia Exterior. Vamos ficar de olho, portanto, no que vai ocorrer com a Lei, se é que vai virar lei, Brodsky.

Até a próxima.

Fernando Guimarães é especialista em marketing de relacionamento, criou entre outras a marca Smiles para a Varig. Atualmente, dirige a criação da Synapsys e a área de conteúdo do site Investir Hoje. Email: [email protected]