Reação em cadeia

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A inadimplência das empresas em maio em comparação com abril de 2012 cresceu 9,4% puxada principalmente pelos cheques sem fundos e protestos segundo dados da Serasa Experian. De acordo com Carlos Henrique Almeida, economista do Serasa Experian, a alta da inadimplência empresarial se deve ao aumento da inadimplência dos consumidores que afeta empresas que lidam diretamente com o consumidor, como o varejo, por exemplo, e, também pela retração no ritmo da economia e a desvalorização do real frente ao dólar. 
Nem mesmo a valorização do dólar foi capaz alavancar as exportações  por conta das também retraídas economias dos países importadores, sobretudo Europa e Estados Unidos que reduziram suas demandas por vários produtos que estão na pauta de exportação das empresas brasileiras, avalia Almeida. O dólar aumentou, caiu o real – de que forma isso impacta negativamente as empresas? “Impacta porque nesses últimos anos as empresas tomaram muito crédito no exterior em moeda estrangeira, e então, o real sendo desvalorizado vai também apresentar problemas para o fluxo de caixa das empresas”, explica o economista.
Todos esses fatores juntos justificam a inadimplências dos negócios e abrem espaços para protestos e pedidos de falência, enfatiza Almeida. “Se olharmos a situação das empresas no País, não há quebradeira em massa, não temos problemas com falência decretada mas temos empresas com dificuldades por todos esses fatores que elenquei, isso é um fato e por isso a inadimplência”, frisa. Segundo o economista pedidos de falência estão sendo usados como forma de pressionar o pagamento das dívidas e por isso têm aumentando consideravelmente no País.
O cenário, em sua opinião, não requer alarde e a inadimplência das empresas tende as se estabilizar a partir de 2013, e isso só se estende ao próximo ano porque os impactos da crise global ainda serão sentidos por algum tempo. “A economia por enquanto está parada, já não há pessoas pedindo créditos volumosos e assim também as empresas já não requerem crédito para produzir em grande volume. A estabilização chegará, é só uma gestão de tempo  e gestão cautelosa”, ressalva e finaliza Almeida.