Levantamento da Worldpanel by Numerator revela em quais categorias consumidores já recorrem à inteligência artificial e mostra que critérios de escolha vêm antes de preço e recomendação
A inteligência artificial começa a ganhar espaço em decisões de compra que vão muito além de produtos ligados à própria tecnologia. Medicamentos e produtos de saúde lideram as categorias em que usuários de IA pesquisados pela Worldpanel by Numerator já recorreram à ferramenta para apoiar uma decisão de compra, com 11,7% das respostas. Beleza e cosméticos aparecem logo depois, com 9,2%, praticamente empatados com eletrônicos e tecnologia, com 9,1%.
Os resultados fazem parte de um levantamento da Worldpanel by Numerator com 3.290 lares respondentes, realizado para entender como ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot estão sendo incorporadas às decisões de consumo.
Além das três categorias que lideram o levantamento, produtos de higiene e cuidados pessoais representam 8,1% das respostas sobre uso de IA para apoiar compras, seguidos por roupas, calçados e acessórios (7,5%), eletrodomésticos (6,9%), alimentos e bebidas (6,2%) e produtos de limpeza e cuidados com a casa (6,2%). O cenário indica que a utilização da tecnologia para apoiar escolhas já aparece em diferentes tipos de consumo, de categorias relacionadas à saúde e ao cuidado pessoal a bens duráveis e produtos do dia a dia.
IA ajuda a construir a escolha antes da compra
Mais do que indicar o que comprar, os dados mostram que a IA é utilizada principalmente para buscar informação e explorar alternativas. Quando os usuários pesquisados recorrem à tecnologia para apoiar uma decisão de compra, 20,9% das respostas estão relacionadas à busca por informações detalhadas sobre produtos. Descobrir as melhores marcas aparece em segundo lugar, com 17,8%, enquanto entender quais aspectos devem ser considerados antes da escolha representa 17,2%.
Preço e recomendação aparecem depois nesse processo. A busca pelo melhor preço ou custo-benefício representa 14,7% das respostas, seguida por pedidos de recomendação (14%) e comparação entre produtos ou opções (13,7%).
Os resultados apontam para uma participação da IA que começa antes da transação: consumidores recorrem às ferramentas para entender melhor produtos e categorias, conhecer marcas e estabelecer critérios que podem apoiar a escolha.
“A mudança mais interessante não está apenas em pedir à IA uma recomendação sobre o que comprar. Os dados mostram que ela começa a participar da construção da própria decisão: o shopper busca informação, procura entender quais atributos considerar e conhece alternativas antes de escolher. Para fabricantes e varejistas, isso adiciona um novo ponto de contato à jornada e reforça a importância de entender como a decisão é construída antes mesmo de a compra acontecer”, afirmou Nathalia Gagetti, gerente sênior de advanced analytics & usage da Worldpanel by Numerator.
O papel da IA na decisão também varia entre classes sociais
O levantamento identifica ainda diferenças na forma como os grupos pesquisados recorrem à IA durante a jornada de compra. Entre as respostas dos usuários das classes DE, descobrir as melhores marcas representa 20,1% dos usos relacionados à decisão de compra, acima dos 18,3% observados na classe C e dos 17,2% em AB. Já a comparação entre produtos e opções ganha relativamente mais espaço entre AB, com 14,2%, ante 13% na classe C e 12,2% em DE.
A busca pelo melhor preço ou custo-benefício também cresce entre os grupos pesquisados conforme a classe: representa 13,4% das respostas em DE, 14,2% em C e 15,1% em AB. Por outro lado, pedidos de recomendação correspondem a 16,5% das respostas entre DE, frente a 13,5% em C e 13,9% em AB.
As diferenças sugerem que a incorporação da IA à jornada de compra não acontece de maneira uniforme: além de diferentes níveis de adoção da tecnologia, as necessidades que levam consumidores a recorrer a essas ferramentas também variam entre os grupos pesquisados.
Saúde lidera uma jornada que já alcança categorias cotidianas
A presença de medicamentos e produtos de saúde na primeira posição chama atenção também pela natureza da categoria. Enquanto eletrônicos e tecnologia aparecem entre os três principais segmentos, beleza e cosméticos ficam ligeiramente à frente, e categorias como higiene pessoal, alimentos e bebidas e cuidados com a casa também já aparecem entre os usos reportados.
Ao mesmo tempo, 17,6% das respostas dos usuários de IA pesquisados indicam que nunca utilizaram a tecnologia para ajudar em uma decisão de compra, mostrando que esse comportamento ainda não está disseminado por toda a amostra.
Para marcas e varejistas, o movimento amplia a compreensão da jornada digital. A pesquisa por um produto pode começar antes da visita a um site, marketplace ou loja e incluir uma etapa conversacional na qual o consumidor busca compreender uma categoria e organizar as alternativas disponíveis.
Uso gratuito ainda concentra a experiência com IA
O levantamento também ajuda a dimensionar como os participantes acessam essas ferramentas. Entre os usuários pesquisados, 84,4% utilizam exclusivamente versões gratuitas de IA. Outros 5,6% combinam versões gratuitas e pagas, enquanto 3,8% utilizam versões pagas. Há ainda 6,2% que afirmam não utilizar mais as ferramentas.
O predomínio das versões gratuitas mostra que, dentro da amostra pesquisada, a incorporação da IA à jornada de consumo acontece principalmente por meio de ferramentas de amplo acesso, enquanto a contratação de serviços pagos permanece mais restrita.
Sobre o estudo
O levantamento Flash IAs foi realizado pela Worldpanel by Numerator em agosto de 2026, com uma amostra de 3.290 lares respondentes, com o objetivo de compreender como ferramentas de inteligência artificial estão sendo incorporadas às decisões de consumo. As perguntas sobre categorias e formas de utilização da IA para apoiar decisões de compra consideram usuários de IA participantes do levantamento.
A pesquisa não foi ponderada para representar a população brasileira. A amostra apresenta maior participação das classes AB1 e B2 e menor participação de C2 e DE em comparação com o universo populacional nacional. Por isso, os resultados apresentados referem-se aos respondentes do levantamento e não devem ser projetados para o total da população brasileira.




















