Dalton Miranda, diretor comercial da Fibrion

Sem conectividade não há operação: infraestrutura vira elo crítico do varejo moderno

Hoje, qualquer indisponibilidade afeta receita, produtividade, experiência do cliente e capacidade competitiva

Autor: Dalton Miranda

Durante muitos anos, a conectividade foi tratada como um componente secundário dentro do processo de digitalização do varejo. Hoje, no entanto, o segmento varejista depende de um ecossistema digital contínuo, integrado e altamente sensível a qualquer instabilidade. Afinal de contas, o ponto de venda precisa conversar com meios de pagamento, plataformas de estoque, sistemas logísticos, ERPs, CRMs, aplicativos, marketplaces e estruturas analíticas em tempo real. Quando essa comunicação falha, o impacto deixa de ser técnico e passa a ser financeiro.

Essa transformação acelerou-se nos últimos anos. Segundo dados do Banco Central do Brasil, divulgados em 2026, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país no segundo semestre de 2025, totalizando 42,9 bilhões de operações, revelando uma mudança estrutural no comportamento de consumo.

Na prática, isso significa que boa parte das vendas depende integralmente da disponibilidade de rede. Se a conexão cai, o pagamento não é concluído e não há venda. O prejuízo ocorre na hora, diante do cliente, da fila e da operação inteira.

E outros indicadores reforçam a dimensão desse novo contexto. Segundo estatísticas de pagamentos no varejo também do BC, os meios digitais movimentaram R$ 68,2 trilhões apenas no segundo semestre de 2025. Esse volume demonstra que a conectividade se tornou uma infraestrutura essencial para sustentação do fluxo financeiro do país.

Ao mesmo tempo, o varejo também passou por uma transformação profunda em sua dinâmica de relacionamento com o consumidor. O cliente atual circula entre canais físicos e digitais sem perceber fronteiras. Ele pesquisa, compra pelo aplicativo, retira na loja, consulta estoques online, acompanha a entrega em tempo real e espera uma experiência fluida e integrada durante toda a jornada.

Essa nova lógica exige sincronização contínua entre sistemas distintos. O estoque precisa conversar com o e-commerce, o CRM precisa refletir o histórico do consumidor instantaneamente e o ERP precisa atualizar pedidos, logística e faturamento sem atrasos.

Nesse cenário, os impactos ficam ainda mais evidentes quando observamos situações comuns do cotidiano varejista como filas paradas porque o sistema não autoriza o pagamento, PDVs fora do ar em horários de pico e terminais lentos em operações de grande fluxo. Todas essas situações têm algo em comum e refletem um ecossistema em que a infraestrutura deixou de acompanhar a complexidade operacional.

Os prejuízos associados a essas falhas já atingem dimensões relevantes. Um levantamento realizado pela Abrappe em parceria com a KPMG Brasil mostrou que falhas operacionais, incluindo sistemas instáveis, erros de inventário e PDVs indisponíveis, geraram R$ 34,9 bilhões em perdas no varejo brasileiro.

Esse dado ajuda a desmontar a percepção, ainda comum dentro de muitas empresas, de que a conectividade não tem papel central no setor varejista. Hoje, qualquer indisponibilidade afeta receita, produtividade, experiência do cliente e capacidade competitiva.

Existe também uma mudança importante na velocidade esperada das operações. O consumidor acostumado ao ambiente digital não diferencia mais problemas tecnológicos de problemas da marca. Para ele, uma compra recusada, um sistema lento ou um aplicativo indisponível são falhas da empresa, independentemente da origem técnica do problema.

Esse novo comportamento aumenta drasticamente o peso estratégico da infraestrutura. A conectividade passou a sustentar reputação, retenção de clientes e continuidade operacional. Em um ambiente onde a experiência é determinante para a fidelização, qualquer fricção tem impacto imediato.

É justamente nesse ponto que ecossistemas mais robustos de conectividade começam a assumir papel central dentro das operações varejistas. O crescimento do uso de links dedicados, por exemplo, está diretamente relacionado à necessidade de estabilidade, previsibilidade e baixa latência em operações críticas.

Ao contrário de conexões compartilhadas e mais suscetíveis a oscilações, ambientes dedicados oferecem maior controle sobre disponibilidade, desempenho e segurança operacional. Em operações altamente dependentes de integração em tempo real, essa previsibilidade se torna decisiva.

E essa discussão vai além da velocidade de conexão, o verdadeiro tema é continuidade de negócios. Uma operação conectada precisa garantir estabilidade suficiente para sustentar pagamentos instantâneos, atualização de dados, sincronização logística e experiência omnichannel sem interrupções.

Em um cenário onde o varejo opera em fluxo contínuo, pequenas falhas acumulam impactos relevantes ao longo do dia. Minutos de indisponibilidade durante horários de pico podem representar perda direta de faturamento, ruptura operacional e desgaste da relação com o consumidor.

Além disso, o crescimento do uso de inteligência artificial, analytics e automação tende a ampliar ainda mais essa dependência estrutural da conectividade. Sistemas de recomendação, precificação dinâmica, prevenção de perdas e gestão inteligente de estoque exigem troca constante de dados e baixa latência para funcionar adequadamente.

Resta ao segmento uma reflexão central: a infraestrutura atual das empresas está preparada para sustentar a complexidade operacional do varejo contemporâneo? Fato é que, em um ambiente completamente orientado por dados e com integração em tempo real, a conectividade é, sem dúvida, a espinha dorsal da operação varejista do presente e do futuro.

Dalton Miranda é diretor comercial da Fibrion.

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