Thiago Delfino, sócio e líder da prática IA & Soluções da Bain & Company

Brasileiros estão dispostos a fazer 60% das compras com apoio de IA

Estudo da Bain & Company mostra que consumidores já demonstram disposição para usar inteligência artificial em diferentes categorias de compras

O comportamento do consumidor brasileiro está em rápida transformação com o avanço da inteligência artificial nas decisões de compras. Segundo dados da Bain & Company, o cliente já aceita migrar, em média, 60% de suas compras on-line para assistentes virtuais. A migração fica acima da metade em todos os departamentos avaliados. Além de eletrodomésticos e eletrônicos (66%), destacam-se casa e decoração (63%), beleza e cuidados pessoais (63%), moda e acessórios (61%), farmácia e bem-estar (60%), delivery de comida (60%), supermercado (60%), livros, papelaria e escritório (60%) e produtos para pets (51%).

A mudança já pode ser observada antes mesmo da compra. Globalmente, 60% das buscas assistidas por IA terminam sem que o usuário clique em um link e as buscas de compra feitas por meio de modelos de linguagem (LLMs) também dobraram entre janeiro e junho de 2025. E a própria maneira de pesquisar está mudando. Enquanto uma busca tradicional tem, em média, quatro palavras, um prompt em uma ferramenta de IA chega a 23 palavras, refletindo interações mais detalhadas e conversacionais.

No Brasil, 77% dos consumidores afirmam ter usado ferramentas de inteligência artificial nos últimos 12 meses, um avanço significativo em relação ao mesmo período da pesquisa anterior, puxado especialmente pela geração Z. Do total, 43% já recorreram à IA para apoiar uma decisão de compra, buscando, comparando e verificando avaliações de produtos e serviços.

“A descoberta de produtos está deixando de ser uma disputa apenas por posição em uma lista de resultados e passando a acontecer cada vez mais dentro de uma resposta gerada por inteligência artificial. Para as empresas, isso muda a lógica de visibilidade: informações claras, estruturadas, confiáveis e consistentes passam a ser fundamentais para que produtos sejam encontrados e considerados nesse novo ambiente”, afirmou Thiago Delfino, sócio e líder da prática IA & Soluções da Bain & Company.


Agentes de IA avançam na jornada de compras

A próxima transformação deve acontecer com a evolução dos agentes de IA para assumirem etapas cada vez maiores da jornada de compra. Se hoje a tecnologia já ajuda a pesquisar, comparar e avaliar alternativas, a tendência é que passe também a executar transações em nome do consumidor.

Três modelos começam a ganhar espaço – Agentes de terceiros: plataformas independentes como ChatGPT, Google Gemini e Perplexity, que pesquisam diferentes fontes, produtos e avaliações para comparar alternativas e fazer recomendações ao consumidor; Agentes proprietários: assistentes integrados aos canais da própria empresa (sites, aplicativos ou WhatsApp) para conduzir o diálogo de venda de ponta a ponta; e Agentes externos (compradores): sistemas habilitados a comprar em nome do cliente, automatizando transações mesmo fora do catálogo de uma única loja.

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