Fábio Barboza, CEO e cofounder da Kobe

Consumidor brasileiro já aprendeu a comprar por app

Estudo da Kobe mostra que cerca de 90% dos consumidores compraram em marketplaces nos últimos três meses, sendo que apps proprietários ganham força quando há intenção clara, promoção exclusiva, conveniência e recompra

A compra por aplicativo já faz parte da rotina do consumidor brasileiro. O desafio para as marcas, agora, não é apenas estar no mobile, mas fazer com que o consumidor escolha o app próprio da empresa em meio à força dos marketplaces, sites, buscadores e redes sociais. Essa é uma das principais conclusões do “Kobe App Commerce Report 2026 — Comportamento Mobile de Compra no Brasil”, estudo proprietário da Kobe que combina dados agregados da plataforma, pesquisa comportamental com consumidores digitais e referências de mercado sobre mobile commerce, app commerce, CRM, marketplaces e varejo digital.

Segundo o levantamento, cerca de 90% dos consumidores compraram em marketplaces nos últimos três meses. O dado reforça o papel dessas plataformas na formação do hábito de compra por aplicativo, especialmente em jornadas de descoberta, comparação de preços, avaliação de marcas e busca por segurança antes da decisão.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que os apps proprietários ganham relevância em momentos específicos da jornada. 61% dos consumidores preferem comprar pelo app quando já sabem o que querem, enquanto 80% escolhem o app quando há uma promoção exclusiva no canal. Para a Kobe, os dados indicam que marketplaces e apps próprios não devem ser tratados como canais concorrentes, mas como ambientes com funções diferentes na jornada de compra.

“Os marketplaces ajudaram o consumidor a se acostumar com a compra por aplicativo. Agora, o desafio das marcas é criar motivos reais para que esse consumidor volte ao app próprio. Isso passa por benefício exclusivo, recompra facilitada, histórico, rastreio, pagamento salvo, atendimento e uma experiência mais conectada com a marca”, afirmou Fabio Barboza, CEO e cofundador da Kobe.

Comparação e validação

O estudo também aponta que consumidores recorrem a marketplaces e sites principalmente para comparação e validação: 71% preferem esses canais para comparar preços, 51% para pesquisar diferentes marcas e 43% para buscar avaliações antes da compra.

Na visão da Kobe, esse comportamento revela uma oportunidade para as marcas evoluírem seus aplicativos próprios. Quanto mais o app da marca incorpora elementos de confiança, conveniência e continuidade, maior a chance de ocupar um papel relevante depois da descoberta inicial. “O app próprio não substitui o marketplace. Ele ocupa outro papel. O marketplace costuma ser forte na descoberta e na comparação. O app da marca ganha força quando existe intenção clara, vínculo, benefício e recorrência”, comentou Barboza.

O app como canal de continuidade

Além da compra, o relatório mostra que o valor dos apps proprietários aparece também em etapas de pós-compra e relacionamento. Entre as funcionalidades mais usadas pelos consumidores estão rastreio de pedido, histórico de compras, pagamento salvo e comprar novamente. 

Para a Kobe, esses dados mostram que o app deixou de ser apenas um destino de tráfego ou uma extensão do e-commerce. Ele passa a funcionar como um canal capaz de reunir compra, recompra, CRM, dados, pós-venda e omnicanalidade em um mesmo ambiente. Segundo o CEO, “quando o app entrega conveniência real, ele deixa de ser apenas mais um canal de venda e passa a ser uma camada de relacionamento com o consumidor. É nesse ponto que ele ganha relevância estratégica para o varejo”.

Metodologia

O “Kobe App Commerce Report 2026 — Comportamento Mobile de Compra no Brasil” foi desenvolvido a partir de três camadas de análise: dados agregados da plataforma Kobe, desk research com referências externas de mercado e uma pesquisa comportamental com 127 consumidores digitais, estruturada com mais de 70 perguntas por participante, totalizando mais de 8,9 mil respostas analisadas.

O estudo aprofunda temas como motivações de download, abandono de aplicativos, papel dos marketplaces, preferência por canais, notificações, funcionalidades mais utilizadas, recompra, recorrência, performance por segmento e maturidade do app commerce no varejo brasileiro.

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