Estudo da Pipedrive mostra que, apesar do avanço da IA, 73% dos profissionais consideram construir conexões humanas genuínas muito ou extremamente importante para sua vida profissional
A Pipedrive, CRM para pequenas e médias empresas, lançou o relatório “AI and humanity at work: How professionals are balancing efficiency and human connection“. O estudo analisa como profissionais de diferentes setores, formatos de trabalho e faixas etárias estão lidando com a adoção da IA, e revela um paradoxo. Embora a tecnologia esteja cada vez mais presente na rotina de trabalho de milhões de pessoas, a maioria dos profissionais entrevistados ainda consideram que são o julgamento, os relacionamentos e a confiança, e não a tecnologia, que determinam seu sucesso.
A pesquisa revelou que quase 40% dos profissionais utilizam ferramentas de IA diariamente, incluindo 23,2% dos entrevistados que as utilizam várias vezes ao dia. O uso diário de IA chega a 50,2% entre os profissionais contratados em período integral e a quase 58% entre os estudantes entrevistados.
A adoção, no entanto, está longe de ser universal: entre os participantes que atualmente não utilizam IA, mais de 76% afirmam que provavelmente não começarão a utilizá-la nos próximos 12 meses. Vale destacar que a resistência não está concentrada entre os profissionais mais jovens ou mais velhos. Mais da metade da resistência à IA identificada na pesquisa vem de profissionais experientes entre 35 e 54 anos, indicando que a adoção da tecnologia é tanto um desafio de gestão da mudança quanto uma questão tecnológica.
“A IA claramente já se tornou parte do cotidiano, mas isso não significa que todos estejam convencidos. A próxima onda de crescimento não virá da conversão dos céticos, mas das pessoas que já confiam na IA. A verdadeira oportunidade para as empresas está em mostrar aos profissionais experientes que a IA pode fortalecer sua capacidade de julgamento, em vez de substituí-la”, comentou Joe Futty, Chief Product and Technology Officer na Pipedrive
Principais descobertas da pesquisa
A IA está se tornando uma parceira de pensamento, e não apenas uma ferramenta de automação: Os usos mais comuns da IA são pesquisa e coleta de informações (46,6%), escrita ou edição (35,1%) e brainstorming (32,4%), muito à frente da automação de fluxos de trabalho (16,3%) e programação (10,7%). Apenas 5,6% dos entrevistados acreditam que a IA deveria substituir a maior parte das funções desempenhadas por humanos quando possível;
Os ganhos de produtividade são reais, mas não universais: 32,1% dos entrevistados afirmam que a IA os torna melhores e mais rápidos no trabalho, enquanto mais da metade concorda que a tecnologia libera tempo para interações mais significativas com colegas e clientes. Ainda assim, 22,2% dizem que a IA não os torna nem melhores nem mais rápidos, reforçando que ter acesso à tecnologia, por si só, não garante geração de valor;
O julgamento humano continua sendo o principal fator para o sucesso profissional: Mais da metade dos entrevistados (51,1%) afirma que seu sucesso é impulsionado principalmente pela experiência pessoal e pela capacidade de julgamento, enquanto apenas 15,1% apontam as ferramentas avançadas de IA como principal fator. 73% consideram construir conexões humanas genuínas algo muito ou extremamente importante em sua vida profissional;
As pessoas não querem menos IA, mas querem que ela pareça mais humana: 44% dos entrevistados afirmam nunca utilizar IA para se comunicar e preferem mensagens escritas por pessoas, enquanto 27,5% dizem se incomodar ao receber uma mensagem que sabem ter sido gerada por IA. Entre aqueles que utilizam IA para se comunicar, 70% afirmam que é pelo menos um pouco importante que o conteúdo produzido tenha a sua própria voz, incluindo 46% que consideram isso essencial;
Conteúdos gerados por IA ainda enfrentam uma lacuna de confiança: Quase 30% dos entrevistados afirmam que conteúdos gerados por IA ainda parecem genéricos ou robóticos demais, enquanto apenas 12,1% consideram que eles têm a mesma qualidade de conteúdos escritos por humanos. O resultado aponta para a autenticidade, e não apenas para a precisão, como o próximo desafio da IA para os profissionais.
“Os dados da pesquisa da Pipedrive mostram que as pessoas não estão rejeitando o trabalho gerado por IA. Elas estão rejeitando aquilo que parece impessoal. Isso é um sinal, não uma reclamação. As ferramentas que terão sucesso daqui para frente não serão necessariamente aquelas capazes de gerar mais conteúdo com maior velocidade, mas as que ajudam as pessoas a se expressarem de uma forma mais autêntica”, acrescentou Futty.
Metodologia
O relatório é baseado em uma pesquisa com mil entrevistados de diferentes setores, formatos de trabalho e faixas etárias. Os participantes responderam a perguntas quantitativas sobre suas percepções em relação à tecnologia e à conexão humana na era da IA. Os dados foram coletados em junho/julho de 2026 por meio de um questionário on-line estruturado.




















