Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard

Até 2030, mais de 1 em cada 10 pessoas usará agentes de IA para comprar e pagar

Desenvolvido em parceria com futurologistas de destaque global, estudo da Mastercard explora a ascensão do comércio agêntico

Mais de um em cada dez compradores on-line deverão usar regularmente agentes de inteligência artificial para adquirir produtos até 2030, de acordo com as previsões de futurologistas no novo relatório da Mastercard, intitulado “A Short History of the Future of Shopping and Payments” (“Uma Breve História do Futuro das Compras e dos Pagamentos”).

Com base em pesquisas da Mastercard e nas perspectivas de quatro futurologistas de liderança mundial nos Estados Unidos, Europa e Ásia, o relatório explora como será a vida cotidiana até o final desta década. Isso inclui agentes auxiliados por IA capazes de negociar preços, relógios e anéis inteligentes que mostram o desempenho dos produtos após a venda, e até mesmo agentes físicos de IA cruzando as portas das lojas pela primeira vez.

“Por seis décadas, a Mastercard tornou possível para as pessoas pagarem e receberem de forma simples e segura, e esse propósito continua por meio daquela que pode ser a maior mudança no consumo desde a invenção do próprio dinheiro. A IA ajuda cada vez mais as pessoas a decidirem o que comprar; amanhã, ela ajudará a realizar as compras por elas também. Tecnologias como o Agent Pay estão viabilizando um futuro no qual as máquinas são confiáveis para transacionar em nosso nome. Este relatório é um convite para que consumidores e empresas deem pequenos passos práticos hoje, a fim de se prepararem para esse futuro juntos”, afirmou Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard.

Agentes de IA se tornarão populares

As previsões, desenvolvidas em parceria com quatro dos principais pensadores do mundo sobre o futuro da IA e do comércio — Magnus Lindkvist, Patrick Dixon MBE, Katja Forbes e Theodora Lau —, revelam as transformações para as quais todos precisam se preparar. Compras do dia a dia, como supermercado, medicamentos e assinaturas, devem ser as primeiras categorias delegadas aos agentes de IA.

Segundo Magnus Lindkvist, futurologista líder que contribuiu para o relatório, “até 2030, comprar e fazer compras não significarão mais a mesma coisa. Os agentes de IA cuidarão das compras rotineiras, deixando o ato de ir às compras como algo que escolhemos fazer por descoberta, inspiração e prazer.”

Varejistas atenderão tanto agentes de IA quanto pessoas

As previsões dos futurologistas no relatório revelam um novo tipo de cliente para o varejo: um agente de IA capaz de ler grandes volumes de dados, verificar declarações das marcas e analisar avaliações e comentários de clientes em segundos para embasar sua decisão e concluir a compra.

Como resultado, eles apontam que os varejistas precisarão adaptar programas de fidelidade, relacionamentos com clientes e experiências digitais para esses agentes. Isso significa tornar informações sobre produtos, alegações e políticas legíveis para máquinas. Por exemplo, uma declaração de sustentabilidade deve vir acompanhada de um certificado que um agente possa encontrar, ler e verificar.

A confiança será a vantagem competitiva decisiva

O relatório identifica que a confiança é central para a transição em direção ao comércio agêntico. Como coloca Magnus Lindkvist, “toda grande mudança no comércio foi, no fundo, uma mudança na confiança. Do mercado de rua ao shopping center, do catálogo ao clique de um botão, cada evolução histórica do comércio pediu que as pessoas depositassem sua confiança em um lugar novo.”

O comércio agêntico representa a transformação mais profunda até agora, pois as pessoas não confiarão na tecnologia apenas para informar suas escolhas, mas também para fazê-las. De acordo com Theodora Lau, estabelecimentos comerciais e instituições financeiras precisarão conquistar essa confiança por meio de estruturas claras para identidade, consentimento, autorização e responsabilidade.

A especialista prevê que pelo menos três reguladores do G20 emitam orientações formais sobre o registro e monitoramento de agentes de IA até 2030, e que a intenção de pagamento se tornará tão valiosa quanto o próprio pagamento. Isso ocorre porque a autorização do consumidor para que um agente compre em seu nome se tornará legível antes mesmo que a compra seja realizada.

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