Bruno Oliveira, CEO da Juan Valdez Brasil

A chegada ao Brasil de um ícone colombiano de cafés com aposta em experiência

CEO da Juan Valdez Brasil esmiúça os planos de expansão no País com foco em adaptação ao perfil do consumidor local

A chegada da Juan Valdez ao Brasil representa mais do que a entrada de uma nova marca de cafés em um mercado altamente competitivo. Ela desembarca com uma estratégia baseada na experiência do cliente como principal diferencial competitivo, combinando a tradição de um dos cafés mais reconhecidos do mundo com uma operação desenhada para criar vínculos emocionais, valorizar a origem do produto e aberta a adaptações ao comportamento do consumidor brasileiro. Em vez de disputar espaço apenas pela qualidade da bebida, a empresa aposta em uma jornada de consumo que integra atendimento, ambiente, narrativa e cultura, transformando cada visita em uma oportunidade de fortalecer a conexão com o público, conforme detalhou Bruno Oliveira, CEO da Juan Valdez Brasil, hoje (23), na 1373ª edição da Série Entrevista ClienteSA.

O icônico personagem Juan Valdez foi criado, em 1959, pela Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC, ou Fedecafé), uma organização sem fins lucrativos fundada, em 1927, para representar e proteger os interesses dos pequenos produtores familiares. O personagem, desenhado como um cafeicultor humilde com chapéu, poncho e uma mula, foi desenvolvido como ícone publicitário para promover a qualidade do café colombiano no mercado internacional. Em 2002, a FNC anunciou a criação da Procafecol S.A. para expandir a marca além da exportação de grãos e levar o café diretamente ao consumidor final, abrindo a primeira loja Juan Valdez Café no Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá.

Com presença, hoje, em mais de 40 países e quase 700 lojas globalmente, a marca carrega uma autenticidade que ressoa: foi criada por quem produz o café. No Brasil, essa narrativa se materializa em cada xícara, em cada conversa com baristas, em cada embalagem que conta a história da região de origem. Porém, o que torna a estratégia de entrada da Juan Valdez particularmente interessante é como está adaptando o portfólio ao paladar brasileiro, sem perder a essência. “Inicialmente, os colombianos apostavam que os cafés com torras altas, aquelas mais amargas e encorpadas, agradariam mais o paladar do brasileiro, mas o time local, liderado pelo mestre de sabor da marca, identificou uma oportunidade diferente. O brasileiro está disposto a experimentar torras médias e provar outros sabores”. Essa observação transformou-se em ação: hoje, a venda de cafés com torras médias supera significativamente a de torras altas.

Falando dessa chegada ao Brasil, há oito meses, o executivo explicou que a escolha de Ribeirão Preto para receber a primeira loja se deu por sua tradição cafeeira e ter consumidores já habituados com café premium. A experiência na loja foi desenhada como um laboratório vivo de customer journey. O espaço, com 45 metros quadrados, foi estruturado para impactar o cliente em cada etapa: passa pela vitrine de pastelaria com produtos exclusivos, segue para bebidas geladas, chega ao balcão onde baristas conversam sobre perfis de torra e origem do café, e finaliza em uma área de compras onde pode levar produtos para casa. Bruno destaca que “a loja foi concebida para ser um lugar onde as pessoas se sintam bem, sem reproduzir ambientes genéricos”. Um detalhe operacional revela a obsessão por experiência: inicialmente chamavam clientes pelo nome para buscar pedidos, mas perceberam que isso gerava incômodo em horários de pico. A solução? Migrar para um sistema de pager simples.

O executivo assegura que o plano de expansão no Brasil é ambicioso, mas cauteloso. A meta, até chegar às 300 lojas em cinco anos, é a de ter mais de 100 já no segundo ano de operação. “O modelo será 100% baseado em franquias, mas com critérios rigorosos: excelentes localizações e operadores de primeira linha. Não temos preferência por região, mas sim por qualidade.” Além das lojas físicas, a marca lançará e-commerce em setembro, democratizando o acesso. Há também planos para presença em aeroportos, hotéis e restaurantes. Porém, o executivo é claro ao demonstrar que sabe onde está o auge da experiência. “Nada substitui estar na loja, tomar o café e vivenciar isso que tentamos explicar aqui. Temos como ambição e desafio aproximar a marca do consumidor brasileiro. E os resultados colhidos na primeira unidade superaram as expectativas: a loja já demonstra recorrência e aceitação muito acima do projetado.”

O vídeo, na íntegra, está disponibilizado no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1372 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA encerrará a semana amanhã (24) com o Sextou, que debaterá o tema “Luxo: O desafio de ser relevante com um consumidor mais exigente”, reunindo Tamara Lorenzoni, especialista em gestão de marcas de luxo, Thiago Castilho, fundador e CEO da Elemental Construtora, e Freddy Rabbat, distribuidor de TAG Heuer no Brasil e VP da Abrae.

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