Daniel Martins, sales manager da Dolby no Brasil

Futuro das transmissões será definido pela qualidade da experiência

A tecnologia deixa de ser o objetivo e passa a ser o que aproxima as pessoas da história que querem viver

Autor: Daniel Martins

Um gol decisivo. Uma virada nos últimos minutos. Um show que reúne milhares de pessoas. O ponto alto de um filme de ação. Esses eventos têm algo em comum que vai além da emoção: a forma como o público os acompanha hoje, em várias telas, ao mesmo tempo, com camadas de informação e interação praticamente inexistentes há poucos anos.

Durante muito tempo, a indústria de mídia e entretenimento discutiu qual seria a plataforma vencedora: TV aberta, TV por assinatura, streaming? Atualmente, é possível afirmar que o consumidor não escolhe mais uma plataforma, ele escolhe uma história. Seja um grande evento esportivo, um filme, uma série, uma novela, um show, um álbum de música ou um game, sua expectativa é poder acessar esse conteúdo em qualquer lugar, no momento em que desejar, com qualidade consistente e uma experiência fluida entre diferentes dispositivos e ambientes.

Nesse novo cenário, o conteúdo permanece como o principal ativo da indústria, enquanto a tecnologia assume um papel fundamental de habilitar experiências. Recursos como áudio imersivo, imagem em HDR, inteligência artificial, conectividade e computação em nuvem deixam de ser apenas avanços técnicos e passam a aproximar as pessoas das histórias que elas desejam viver. O sucesso já não é medido apenas pela audiência alcançada, mas pela capacidade de gerar engajamento, fortalecer a conexão emocional com o público e criar experiências memoráveis.

Essa mudança pode ser percebida ao longo de toda a jornada do consumidor. Uma música pode começar nos fones de ouvido, continuar no smart speaker da casa e seguir naturalmente dentro do automóvel. Um filme iniciado no smartphone pode ser retomado na televisão da sala. Um jogo, um show ou uma final de campeonato chegam ao público por múltiplas câmeras, estatísticas em tempo real, redes sociais e criadores de conteúdo comentando o evento paralelamente. Quem assiste deixou de ser só audiência – participa da narrativa, reage, compara ângulos, discute o que está vendo com outras pessoas antes mesmo de a transmissão terminar.

Ao mesmo tempo, cresce um desafio na direção oposta. Levar o evento até quem não está lá. O objetivo passa a ser oferecer a sensação de ocupar a melhor cadeira do estádio, da arena ou do espetáculo, não importa onde a pessoa esteja assistindo, seja na sala de casa, no carro, no celular ou em qualquer outro ambiente conectado.

Isso explica por que os direitos de transmissão se tornaram tão disputados, e por que a qualidade da experiência entregue ao público virou um dos principais fatores de diferenciação entre quem transmite. Não basta mostrar o jogo, é preciso fazer o espectador sentir que está dentro dele.

O automóvel é outro exemplo de quanto esse território se expandiu. Por muito tempo, o carro foi um espaço reservado à música, a notícias e a informações de trânsito. Hoje, incorpora cada vez mais conteúdo audiovisual de alta qualidade, como filmes, séries e eventos esportivos. Um trajeto entre dois pontos, uma pausa numa viagem ou o tempo de recarga de um veículo elétrico deixam de ser apenas tempo de espera e passam a ser oportunidade de consumo com qualidade próxima à de uma sala de cinema.

Os espaços presenciais seguem a mesma lógica. Em vez de levar o evento para dentro de casa, reúnem pessoas em torno de uma experiência coletiva. Bares, arenas, casas de shows e espaços culturais crescem como destino para assistir a uma final de campeonato ou uma grande estreia ao lado de outras pessoas. Iniciativas como o conceito de Shared Reality, desenvolvido pela Cosm, e o Dolby Live, palco que já recebeu nomes como Bruno Mars, Lady Gaga, Maroon 5, Santana, Aerosmith, Sting e Janet Jackson, mostram como áudio e imagem conseguem aproximar artistas e público de formas que não existiam há uma década.

O esporte é talvez o melhor exemplo de tudo isso reunido. Assistir a uma partida não acontece mais numa tela isolada, e sim em várias, ao mesmo tempo, com camadas de informação que se somam à imagem principal. Isso torna quem assiste parte ativa do que está acontecendo, não apenas alguém observando de fora.

Essa combinação aponta para onde a indústria caminha. A tecnologia deixa de ser o objetivo e passa a ser o que aproxima as pessoas da história que querem viver. O futuro das transmissões ao vivo não vai decidir por qual tela o público escolhe, mas pela qualidade da experiência entregue, onde quer que essa tela esteja. A tecnologia deixa de ser o objetivo e passa a ser o meio para aproximar as pessoas das histórias que desejam viver. No fim, o futuro das transmissões não será definido pela tela escolhida pelo consumidor, mas pela capacidade de oferecer experiências cada vez mais naturais, imersivas e memoráveis.

Daniel Martins é sales manager da Dolby no Brasil.

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