Organizações que adotam uma abordagem humanizada encontram um diferencial que vai além da eficiência
Autora: Claudia Storch
A Inteligência Artificial deixou de ser um conceito de ficção científica para se consolidar como ferramenta cotidiana nos negócios. Nas rotinas corporativas, já otimiza processos, personaliza experiências e gera insights em uma velocidade antes inimaginável.
Essa ascensão, no entanto, carrega uma dualidade: de um lado, o otimismo com seu potencial de crescimento e transformação; de outro, a apreensão sobre o futuro do trabalho. Nesse cenário, o debate é sobre como usar a IA de forma consciente.
Essa tensão aparece nos dados. Uma pesquisa recente da Pluxee mostra que, embora a maioria dos profissionais no Brasil veja a IA como aliada, quase um terço (32%) teme perder o emprego para a automação. Esse paradoxo é um sinal claro de que a tecnologia, por si só, não basta. Seu verdadeiro potencial só se concretiza em ambientes de segurança psicológica, onde as pessoas se percebem como parte da transformação — e não como vítimas dela.
O papel da liderança: tecnologia com direção
O desafio das lideranças é construir a ponte entre o avanço tecnológico e o desenvolvimento humano. O Fórum Econômico Mundial alerta que uma parcela significativa da força de trabalho precisará de requalificação na próxima década. Ainda assim, um relatório da Global Tech Insights (janeiro de 2026) evidencia um gap relevante: 4 em cada 10 empresas no Brasil ainda não possuem programas estruturados de capacitação em IA.
Fechar essa lacuna é mais do que uma necessidade operacional — é uma decisão estratégica. Investir em capacitação transforma o medo da obsolescência em curiosidade e competência, preparando profissionais para atuar em funções mais analíticas, criativas e relacionais, em colaboração com a tecnologia.
Da eficiência à experiência: onde nasce o diferencial
Organizações que adotam uma abordagem humanizada encontram um diferencial que vai além da eficiência. Ao priorizar capacitação e diálogo transparente, fortalecem diretamente a experiência do colaborador (EX). Profissionais que se sentem valorizados e preparados tendem a ser mais engajados e tornam-se agentes de inovação.
São essas pessoas que usarão a IA de forma criativa para resolver problemas reais, indo além de processos padronizados. O impacto se estende naturalmente à experiência do cliente (CX). Em um cenário em que a IA tende a homogeneizar operações, equipes engajadas — revisando a fluidez das jornadas a partir da escuta dos clientes e de insights de dados e elevando a qualidade da interação humana com os clientes — tornam-se um fator de diferenciação. Times seguros, motivados e potencializados pela tecnologia são o caminho mais consistente para gerar valor e fidelização.
A integração da Inteligência Artificial ao mundo do trabalho é irreversível. Mas as empresas que prosperarão não serão necessariamente as que têm as tecnologias mais avançadas, e sim as que souberem integrá-las a uma estratégia centrada em pessoas. O verdadeiro desafio das lideranças é garantir que, ao buscar eficiência, a dimensão humana seja fortalecida. A tecnologia potencializa resultados; a liderança consciente transforma esse potencial em valor real — para as pessoas, para os negócios e para os clientes.
Claudia Storch é diretora executiva de operações e experiência dos clientes na Pluxee.




















