A integração entre lojas físicas e canais digitais se torna essencial para evitar que um arranjo indisponível continue sendo oferecido on-line
Autor: Clóvis Souza
Em poucos segmentos a expressão “última hora” é tão literal quanto no varejo de flores. Além de estar associada a aniversários, encontros e datas comemorativas, a compra costuma envolver a expectativa de entrega em um dia ou horário específico. Ao mesmo tempo, as flores são produtos vivos, perecíveis e sensíveis ao transporte. Essa combinação faz com que uma decisão tomada em poucos minutos pelo consumidor dependa de uma operação planejada com antecedência, capaz de reunir estoque, montar os arranjos, prestar atendimento e realizar a logística.
A dimensão desse comportamento aparece nas principais celebrações do calendário. Pesquisa realizada em 2026 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito, em parceria com a Offerwise, apontou que 12,2 milhões de consumidores, o equivalente a 10% dos compradores do Dia das Mães, pretendiam adquirir o presente nos últimos dias antes da data. Outros 43% planejavam fazer as compras na primeira semana de maio.
No ambiente digital, atender esse público depende tanto do produto quanto da confiança de que ele chegará no momento esperado. A pesquisa Frete e Entregas no E-commerce 2026, realizada pelo Opinion Box, mostrou que entregas mais rápidas aumentam as chances de uma loja conquistar 77% dos consumidores. Outros 37% afirmaram que aceitariam pagar mais para receber a compra rapidamente ou até no mesmo dia. No varejo de flores, o prazo faz parte do próprio presente, já que um buquê entregue depois da comemoração pode perder boa parte de seu significado.
Transformar essa urgência em oportunidade exige facilitar a escolha. Buquês organizados por ocasião, composições prontas, faixas de preço claras e combinações com chocolates, bebidas ou outros complementos reduzem o esforço necessário para decidir. Nas lojas físicas, pequenos arranjos e plantas posicionados em áreas de maior circulação podem atender quem busca uma solução imediata. No comércio eletrônico, páginas temáticas, filtros objetivos, informações sobre disponibilidade e sugestões de presentes cumprem essa função e ajudam o consumidor a concluir a compra com mais segurança.
A estratégia, no entanto, não termina na exposição dos produtos. Por lidar com itens perecíveis, o varejo de flores precisa prever a procura por determinadas espécies, organizar embalagens e complementos, reforçar equipes e distribuir as entregas conforme horários e regiões atendidas. A integração entre lojas físicas e canais digitais também se torna essencial para evitar que um arranjo indisponível continue sendo oferecido online. Embora as datas comemorativas concentrem parte importante das vendas, aniversários esquecidos, visitas inesperadas, agradecimentos e pedidos de desculpas mantêm a demanda por presentes rápidos durante todo o ano.
O presente de última hora virou estratégia porque representa um comportamento recorrente e previsível. No varejo de flores, isso significa preparar a operação com antecedência para responder em poucas horas, sem comprometer o frescor do produto ou o prazo prometido. Mais do que ampliar o número de opções, o diferencial está em oferecer uma escolha simples, adequada à ocasião e entregue no momento certo.
Clóvis Souza é CEO da Giuliana Flores.




















