Estudo da Serasa Experian, mostra que, mesmo entre consumidores de baixa renda, contexto domiciliar está associado a redução de 17% no percentual de inadimplentes
A inclusão de novas variáveis na análise de crédito tem ampliado a capacidade de compreensão sobre o comportamento financeiro dos brasileiros. Um estudo da Serasa Experian mostra que considerar o contexto do domicílio, como a renda estimada das pessoas que moram na mesma casa, complementa a análise baseada no perfil individual. E isso está associado a reduções relevantes nos níveis de inadimplência – definido pelo percentual CPFs com atrasos superiores a 60 dias após a concessão de um crédito – em diferentes perfis de consumidores.
Os dados indicam que consumidores inseridos em domicílios com maior renda apresentam menor probabilidade de inadimplência. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o percentual de inadimplentes cai de 9,4% para 6,5% quando estão em domicílios com renda acima de cinco salários-mínimos, o que significa uma redução de aproximadamente 31%. Entre jovens de até 25 anos, a queda é de 24%, passando de 15,9% para 12,1% no mesmo cenário.
O comportamento também é observado em outras faixas. Mesmo em domicílios com renda intermediária (cerca de três salários-mínimos), o percentual de inadimplentes entre jovens já apresenta redução, indicando que o contexto contribui para uma leitura mais abrangente do perfil financeiro.
Ao combinar a renda individual estimada com a renda estimada do domicílio, é possível ampliar e complementar a leitura sobre a capacidade financeira. Entre pessoas com renda individual de até dois salários-mínimos, o percentual de inadimplentes é de 13%, mas cai para 10,8% quando essas pessoas estão inseridas em domicílios com renda mais elevada, ou seja, uma redução de cerca de 17%.
No consolidado geral, o percentual de inadimplentes cai de 11,4% para 8,1% ao comparar domicílios de menor renda com aqueles de maior renda, uma redução de aproximadamente 29%. “Os dados reforçam que a análise de crédito pode se beneficiar de uma visão cada vez mais completa do consumidor, composta por mais camada de informação. A renda estimada individual segue sendo um indicador fundamental, mas, ao incorporar o contexto do domicílio, é possível enriquecer essa leitura e tornar as decisões ainda mais precisas e aderentes à realidade financeira. Com o uso de tecnologia avançada e dados cada vez mais atualizados, incluindo sinais de consumo em tempo real, os modelos se tornam mais acurados e sensíveis ao comportamento financeiro do consumidor. Com isso, os credores podem tomar decisões mais bem munidos de informações, o que contribui com ganhos de eficiência ao longo de toda a jornada de crédito”, afirmou Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e software solutions da Serasa Experian.
Diferenças regionais seguem o mesmo padrão
O comportamento se repete em diferentes regiões do país. No Sudeste, o percentual de inadimplentes cai de 12,3% para 9,9% em domicílios de maior renda, uma redução de cerca de 20%. No Nordeste, a queda é de 14,2% para 11,5% (19%), enquanto no Norte o percentual recua de 14,7% para 11,9% em faixas intermediárias de renda domiciliar.
Tecnologia amplia a análise
Os dados fazem parte da solução Renda 360, da Serasa Experian, que amplia a análise tradicional ao incorporar o contexto financeiro do domicílio e da rede de relacionamentos do consumidor. A partir do cruzamento de informações como geolocalização e comportamento digital, o modelo estima a renda agregada e contribui para uma avaliação mais completa da capacidade financeira. Essa abordagem também vem sendo aplicada ao Score, com o Score 360, que incorpora a visão em rede para tornar a leitura de risco mais precisa.
“A utilização de dados comportamentais exclusivos tende a fortalecer os modelos de análise de risco, ampliando a capacidade de avaliação em diferentes perfis de consumidores, contribuindo para uma concessão de crédito mais alinhada ao contexto financeiro das pessoas”, completou Mônaco.
Metodologia
O estudo foi elaborado a partir da solução Renda 360 da Serasa Experian, que analisa o consumidor com base em sua rede de relacionamento, considerando a renda estimada individual e a renda agregada estimada do domicílio. A construção da base utiliza informações como geolocalização e comportamento digital e contempla indivíduos economicamente ativos, com 18 anos ou mais. Essas informações não impactam o cálculo individual da renda estimada e do score do consumidor. O percentual de inadimplentes considera CPFs com atrasos superiores a 60 dias após a concessão de um crédito.




















