Para que haja a orquestração do trabalho entre seres humanos e IA, é fundamental promover uma mudança cultural dentro das empresas
Autor: Thiago Siqueira
A utilização da IA entra em uma fase de consolidação e privilegia quem consegue transformar inteligência em resultado. A tecnologia avança e os agentes de IA já ocupam diferentes etapas das operações. Neste momento, empresas de todos os segmentos precisam ir além da adoção de ferramentas isoladas. O desafio é integrar esses recursos à estratégia, à arquitetura e aos processos do negócio para ampliar a capacidade das pessoas de tomar decisões, criar melhores experiências e gerar valor. Sem isso, a inteligência artificial não consegue cumprir seu papel mais nobre e se torna uma simples ferramenta de automação.
Na América Latina, ainda estamos em ritmo de descoberta. Muitas organizações testam possibilidades para aprender com suas próprias implementações e entender onde a IA, de fato, gera valor. A jornada em nossa região tem a característica de observar o avanço rápido da tecnologia enquanto os desafios enfrentados pelos clientes permanecem os mesmos.
É justamente nesse ponto que está uma das principais reflexões sobre o uso da Inteligência Artificial nos negócios. A tecnologia amplia a capacidade de analisar informações e criar formas diferentes de relacionamento com clientes, mas os ganhos relevantes não surgem da adoção de agentes virtuais ou soluções isoladas. Para dar um passo à frente, é importante conectar os recursos à arquitetura e aos processos de cada operação.
Além disso, como os agentes de IA estão participando de diferentes etapas da jornada, surge o desafio de administrar esses ambientes. É necessário acompanhar o desempenho e avaliar resultados para que as soluções estejam alinhadas aos objetivos do negócio.
Essa evolução também muda a forma como as companhias pensam seus investimentos. A IA agêntica precisa ser integrada aos processos internos e à rotina das pessoas. As empresas que já avançam nessa adoção combinam infraestrutura com conhecimento especializado para transformar experimentação em resultados concretos.
Esse aspecto é especialmente importante quando analisamos um dos principais debates em torno da inteligência artificial: o impacto sobre os empregos. Embora essa preocupação seja legítima, os casos de maior sucesso na adoção da IA agêntica são os que capturam mais valor ao utilizar a tecnologia para ampliar as capacidades das equipes e melhorar a produtividade.
A inteligência artificial permite que profissionais concentrem sua atuação em atividades de interpretação, criatividade, relacionamento, raciocínio e julgamento. Para que haja a orquestração do trabalho entre seres humanos e IA, é fundamental promover uma mudança cultural dentro das empresas, com investimentos em treinamento e preparação para novos modelos de trabalho.
Na América Latina, a transformação acontece em um contexto específico, já que muitas empresas consideram a contratação de pessoal uma alternativa economicamente mais viável do que investir em tecnologia. Essa lógica tem sido revista porque os consumidores exigem experiências mais rápidas, personalizadas e eficientes, movimento que pressiona as organizações a encontrar novas formas de ganhar escala.
A mudança da mentalidade corporativa, impulsionada pelo desejo dos clientes, oferece grandes oportunidades. Companhias que lidam com altos volumes de interações, por exemplo, têm uma oportunidade significativa de modernizar suas operações com o uso da IA.
Ou seja, para surfar no bom momento da inteligência artificial, as empresas precisam integrar tecnologia e estratégia. É preciso implementar novas soluções ao mesmo tempo em que se desenvolve uma visão clara sobre onde a IA pode gerar valor, como ela é administrada e de que maneira as pessoas participam dessa transformação.
Thiago Siqueira é vice-presidente de vendas para o Cone Sul da Nice.




















