No 13º Fórum de Inovação Igeoc, especialistas apontam os principais desafios e oportunidades para o setor de crédito e cobrança
A evolução da inteligência artificial, os impactos da reforma tributária e a necessidade de conciliar eficiência operacional com experiência do consumidor estão entre os principais desafios que devem moldar o futuro do mercado de crédito e cobrança no Brasil. O tema esteve no centro das discussões do 13º Fórum de Inovação Igeoc, realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. O debate ocorre em um momento estratégico para o setor. Segundo projeções da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a inadimplência da carteira livre deve permanecer acima de 5% em 2026, enquanto o volume de renegociações de dívidas segue em patamares elevados, reforçando a importância das operações de recuperação de crédito para a sustentabilidade do sistema financeiro.
Reunindo executivos de instituições financeiras, empresas de recuperação de crédito, fornecedores de tecnologia e especialistas do mercado, o evento discutiu como as transformações econômicas, regulatórias e tecnológicas estão exigindo novas estratégias das empresas. Um dos destaques da programação foi o painel sobre o futuro do crédito e da cobrança, que reuniu Eric Garmes de Oliveira, CEO da Paschoalotto, e Rodrigo Capuruço, CEO da Volkswagen Financial Services Brasil e América do Sul.
Durante a encontro, os executivos abordaram os impactos da inteligência artificial sobre a concessão, gestão e recuperação de crédito. “A IA não vai destruir o ser humano. O ser humano que sabe usar IA vai destruir o que não sabe”, afirmou Capuruço. Para ele, a vantagem competitiva das empresas estará cada vez mais ligada à capacidade de combinar tecnologia, análise de dados e qualificação profissional. A discussão ganha relevância em um cenário no qual a automação e a inteligência artificial vêm assumindo papel cada vez mais estratégico nas operações de cobrança. Ferramentas de análise preditiva, personalização de jornadas e automação de processos já estão sendo utilizadas para aumentar taxas de recuperação e melhorar a experiência do consumidor.
Outro tema que mobilizou os participantes foi a reforma tributária. Especialistas alertaram que as mudanças exigirão adaptações importantes por parte das empresas de cobrança, crédito e serviços financeiros, especialmente na revisão de contratos, processos e modelos operacionais. “As empresas precisarão olhar para toda a cadeia de negócios, renegociar contratos e se preparar para um modelo tributário completamente diferente do atual já a partir do próximo ano”, destacou Daniel Loria, ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda.
Além das questões regulatórias e tecnológicas, o Fórum também dedicou espaço ao debate sobre saúde mental nas organizações. O tema vem ganhando relevância no ambiente corporativo, especialmente em operações que convivem com metas, pressão por resultados e atendimento ao público. “Saúde mental não é uma tendência, é a nova realidade”, afirmou Bárbara Carvalho, diretora da Salvia Saúde Corporativa, durante painel que reuniu representantes de empresas como NovaQuest, H Costa Cobranças, Propay e Santander para discutir práticas voltadas ao bem-estar dos colaboradores e à aplicação da NR-1.
Encerrando a programação, representantes do Igeoc, Oracle, WIZ AI Brasil e Finch Soluções apresentaram aplicações práticas da inteligência artificial em operações de crédito e cobrança, demonstrando como a tecnologia pode contribuir para aumentar a eficiência operacional, apoiar a tomada de decisões e aprimorar a jornada do cliente.
A edição deste ano também marcou os 20 anos de atuação do Igeoc – Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança, reunindo profissionais que participaram da construção da entidade ao longo de sua trajetória. Para Rodrigo Mandaliti, presidente do Igeoc, o setor vive um momento de transformação sem precedentes. “O Fórum representa o compromisso de conectar pessoas, compartilhar conhecimento e preparar as empresas para os desafios que estão por vir. A cobrança está cada vez mais integrada à inovação, à tecnologia e à construção de relações mais sustentáveis entre empresas e consumidores”.




















