O papel da gestão em cenários de crise

ClienteSA News debate como cenários adversos como recuperação judicial expõe falhas de gestão, mas também podem acelerar mudanças e fortalecer a operação

Em momentos de crise com pedidos de recuperação judicial, muitos líderes entram em modo defensivo e cortam esforços Porém, o caminho certo estaria exatamente em manter ou elevar a qualidade da operação: o cliente não pode sentir a turbulência interna. Da mesma forma, está provado que empresas bem geridas superam os mesmos fatores que derrubam outras. Liderança emocionalmente equilibrada, comunicação rápida, clara e adaptada a cada público fazem toda a diferença, como ficou claro na 69ª edição do ClienteSA News. Realizado ontem (24), o programa reuniu os convidados Simone Nunes, executiva especialista em gestão de pessoas e André Rocha, especialista em reestruturação empresarial e recuperação de empresas, além dos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA e VP da Aloic, Rodrigo Tavares, head de experiência do cliente na Eteg, e Wellington Paes, fundador e CEO da Conexão Customer.

Primeiro a se manifestar, André destacou que um pedido de recuperação judicial não decorre apenas de fatores externos, como juros e câmbio. “Uma empresa bem gerida consegue superar esses fatores externos. Por isso, que tem empresas que, mesmo diante dos mesmos fatores externos, continuam saudáveis”, destacou o especialista, ao apontar a qualidade das decisões internas como determinante para a sobrevivência. Nessa linha, Simone complementou que uma crise financeira exige, sobretudo, uma resposta humana. “É exatamente quando a operação deve manter ou elevar a qualidade. O cliente lá fora não pode ser impactado pela turbulência interna.”

Outro ponto central é a credibilidade. Rocha defendeu um discurso único para credores, clientes, fornecedores e funcionários. “Se não consegue cumprir, não promete. Não faça compromisso, essa é a regra de ouro.” A transparência, segundo ele, constrói a confiança necessária para atravessar a crise. Nesse processo, fornecedores essenciais precisam ser vistos como parceiros de sobrevivência, e não apenas como credores.

Para Vilnor, a crise também separa organizações frágeis das resilientes. “Companhias fracas, quando chegam a crise, morrem. Companhias boas, quando chegam à crise, saem melhores do que entraram.” Já Wellington alerta que os sinais aparecem muito antes do colapso. “Arrogância do sucesso, crescimento indisciplinado, negação dos riscos são comportamentos que precedem a queda.” Por isso, recomenda cenários preventivos antes que a recuperação judicial se torne inevitável. 

Quem já viveu uma recuperação judicial, como Rodrigo Tavares, lembra que o processo também pode abrir espaço para resultados extraordinários. “Uma recuperação judicial só é aprovada se existe forma de recuperar a empresa.” Segundo ele, a crise força a priorização e a integração entre áreas: atividades que não impactam o operacional são eliminadas e as equipes passam a trabalhar de forma mais coordenada. “Essa reflexão deveria ocorrer também em empresas saudáveis.” O vídeo com o bate-papo está disponível, na íntegra, no ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,3 mil vídeos.

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